III Seminário Internacional FORTRALIT

Nos dias 8 e 9 de maio de 2025, a UERJ sediou o III Seminário Internacional FORTRALIT, com convidados provenientes de vários estados do Brasil, além de universidades estrangeiras.

No dia 08/05, participei da mesa-redonda de número 4 como mediador.

No dia 09/05, participei da mesa-redonda de número 7: Poesia, tradução e teoria, como conferencista convidado.

Dia 08/05: Mesa-redonda de número 4 – Tradução Literária, Negritude e Periferia

Com grande satisfação, mediei a Mesa-redonda de número 4: “Tradução Literária, Negritude e Periferia”, dando seguimento à progrmação do evento.

A mesa encerrou o primeiro dia de debates e reuniu três professores-pesquisadores cujos trabalhos têm contribuído significativamente para o estudo e o ensino de literaturas afro-diaspóricas e periféricas, bem como de questões ligadas à sua tradução no Brasil e no mundo.

A primeira apresentação, “Tradução Literária na encruzilhada das Afrodiásporas”, foi feita pelo professor Felipe Fanuel Xavier Rodrigues. Professor adjunto de Língua Inglesa no ILE e permanente no Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Felipe possui doutorado em Literatura Comparada também pela UERJ, com período de estágio doutoral em Dartmouth, New Hampshire, Estados Unidos, com bolsa CAPES/Fulbright, e Pós-Doutorado em Letras no Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ (2016-2017), com bolsa FAPERJ Nota 10. Pesquisador e tradutor de língua inglesa no Escritório Modelo de Tradução Ana Cristina César da UERJ, Felipe é membro do Comitê Executivo do Luso-Brazilian Forum da Modern Language Association (a MLA), e atualmente ocupa a sua presidência. Procientista UERJ/FAPERJ e Jovem Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ, o professor Felipe atua nas áreas de língua inglesa; estudos de tradução; tradução intercultural; discursos literários anglófonos e lusófonos; literatura comparada; literaturas africanas e literaturas afrodiaspóricas.

A segunda apresentação, “Traduzindo a Negritude: Avanços e Impasses”, foi feita pela professora Maria Aparecida Ferreira de Andrade Salgueiro. Doutora em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Pós-doutora pela Universidade de Londres, Cida é professora titular do Instituto de Letras da UERJ, onde atua há mais de 30 anos. É pesquisadora 1D do CNPq, Cientista do Nosso Estado FAPERJ, PROCIENTISTA UERJ, Líder do Grupo de Pesquisa “Discurso e Estudos da Tradução” do CNPq e Coordenadora-Geral do Escritório Modelo de Tradução Ana Cristina César. Pesquisadora visitante das universidades de Dartmouth e Houston, a professora Cida Salgueiro é autora de livros, capítulos e artigos sobre Literaturas afro-diaspóricas no Brasil e no exterior, com destaque para a recente publicação da antologia bilíngue “Contemporary Afro-Brazilian Short Fiction”, da coleção “Literature and Translation”, lançada pela editora da Universidade de Londres em outubro de 2024. Para além da sua produção individual, destaco a atuação de Cida na formação de gerações de pesquisadores e tradutores de literaturas afro-diaspóricas através das suas orientações.

A terceira apresentação, “Traduzindo Poetry Slam: uma experiência de tradução supervisionada para a Festa Literária das Periferias”, foi feita pela professora Marcela Iochem Valente. Doutora em Letras – Estudos da Linguagem pela PUC-Rio, com pesquisa em Estudos da Tradução, e mestre em Literaturas de Língua Inglesa pela UERJ, com pesquisa em estudos afro-americanos e Tradução, Marcela enfoca a recepção da literatura (afro)brasileira traduzida no exterior e o ensino de Línguas para Fins Específicos. Professora Associada do setor de Língua Inglesa da UERJ, Marcela foi Idealizadora da Pós-graduação Lato Sensu em Tradução em Língua Inglesa, é coordenadora do Escritório Modelo de Tradução Ana Cristina César, é coordenadora da Pós-graduação Lato Sensu em Linguística Aplicada: Inglês como Língua Estrangeira; e integra linhas de pesquisa como “África, diáspora africana e estudos de tradução” e “A voz e o olhar do outro: questões de gênero e etnia nas Literaturas de Língua Inglesa”.

No dia 09/05, mesa-redonda de número 7: Poesia, tradução e teoria

A mesa foi composta por mim e pelos professores Renato Venâncio (UERJ), cujo tema foi “Relato de experiência sobre a orientação e a revisão de traduções de contos de Adjutor Rivard e frei MArie-Victorin”, e Danilo Serpa (UERJ), cujo tema foi “Hölderlin, tradução (de Píndaro), poesia e teoria: junções e disjunções”.

Meu tema, “A tradução do verso livre”, compõe uma sequência de apresentações e publicações que tenho feito em torno do verso livre poético. No Seminário, abordei o desafio da tradução do verso livre, um tema que considero de grande relevância para a formação de tradutores de poesia contemporânea, já que a maior parte da produção poética ocidental nas últimas décadas se dá nesse formato. Contudo, chamei atenção para o fato de que o conceito de “verso livre” é excessivamente amplo e impreciso, funcionando muitas vezes como um “não-conceito” — ou seja, definido mais por negação (o que não é verso fixo) do que por parâmetros positivos e descritivos.

Para ilustrar essa ambiguidade, contrastei o verso livre com o soneto, uma forma poética de contornos bem definidos, cuja estrutura permite ao leitor e ao tradutor reconhecer inovações e especificidades no uso da forma. Já o verso livre, por carecer de parâmetros claros, não oferece um horizonte de expectativas que nos permita reconhecer suas variantes formais, o que dificulta tanto a leitura crítica quanto o trabalho tradutório.

Também explorei como essa indefinição impacta a prática da tradução: muitos tradutores, diante da ausência de critérios objetivos, acabam transformando os poemas em prosa fragmentada ou exageram no registro poético da língua de chegada, descaracterizando o original. Por outro lado, tradutores mais atentos se veem diante de uma incerteza constante e tendem a adotar abordagens excessivamente individualizadas, o que pode levar a práticas subjetivistas e pouco sistematizadas.

Nesse contexto, destaquei a tese de Marina Della Valle, que, ao entrevistar dez tradutores-poetas brasileiros, revela como cada um adota métodos próprios para cada poema, considerando fatores como ritmo, sensibilidade estética e formação pessoal. Problematizando essa abordagem centrada exclusivamente na subjetividade do tradutor, argumentei que elementos objetivos — como padrões de sílabas, acentos, aliterações e assonâncias — muitas vezes são tratados como abstratos, quando, na verdade, podem e devem ser analisados de maneira sistemática.

Como contraponto, apresentei minha própria proposta de sistematização do que chamo de “Verso Livre Novo”, uma subcategoria que venho identificando, estudando e traduzindo. A partir da análise de técnicas recorrentes e de subtipos formais específicos, desenvolvi um método de leitura e tradução que visa permitir um debate mais claro, compartilhável e crítico, afastando-se da mitificação da figura do tradutor-gênio-eleito.

Ao final, defendi uma prática tradutória mais horizontal, transparente e metodologicamente fundamentada, que permita não apenas avaliar traduções com base em critérios minimamente consensuais, mas também formar tradutores mais conscientes dos desafios e possibilidades da tradução de verso livre. Com isso, busco contribuir para o enriquecimento dos estudos da tradução poética contemporânea, oferecendo ferramentas críticas e práticas aplicáveis ao campo.

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